Archive for maio \16\UTC 2008

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Conheça Peet

maio 16, 2008

Peet Gelderblom é um holandês que trabalha com comerciais/spots de TV e, nas horas vagas, publica charges muito bacanas sobre cinema. No site dele (linkado ao lado) você encontra suas duas séries: Directorama e Lost in Negative Space. Estas charges vinham sendo traduzidas pelo editor do site Cinema em Cena (também linkado), porém tiveram sua publicação interrompida por lá, acredito, por falta de tempo para a tradução. Lost in Negative Space tem uma temática mais genérica, com tiras independentes entre si, enquanto Directorama é feita de forma mais ou menos seriada, pois conta as desventuras de grandes diretores que já morreram, e que ao chegarem ao céu, são “agraciados” com a missão de inspirar os jovens (e não tão jovens) que ainda estão por aqui por baixo. O ponto de partida é justamente as mortes de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni – ocorridas com apenas um dia de diferença – e ainda conta com diversas participações: Woody Allen, Robert Altman, Stanley Kubrick, David Fincher, Alfred Hitchcock…

Resolvi conferir na própria matriz e rende umas boas risadas, principalmente se você é familiarizado com os cacoetes de certas personalidades e, claro, tiver uma boa noção de inglês. Mas só de ver o Steve Jobs inventando o Mickey Mouse já vale.

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Para seu deleite

maio 14, 2008

Alongando um pouco um dos nomes do post anterior, é interessante notar as reações que o nome Roxy Music desperta. Muito falado e pouco ouvido, o grupo inglês segue na ativa, o que pode passar uma impressão superficial de que se trata apenas de mais um dinossauro errante, como os já malfadados Creedence Clearwater Revisited e Deep Purple, outrora relevantes. O que é uma enorme besteira, pois mesmo que o Roxy não lance material inédito há mais de 25 anos, também nunca insultou seu público lançando material não-digno da história da banda, ou com apresentações burocráticas. A bem da verdade, a banda só voltou a se apresentar esporadicamente ao vivo desde 2001, e a exemplo do Television e do The Police (outros nomes que merecerão uma apreciação mais detalhada no futuro, aqui), entrega ainda a mesma classe que lhe deu o merecido prestígio nos anos 70.

Mais conhecidos no Brasil pelos hits radiofônicos More Than This (do último registro em estúdio, Avalon) e, por tabela, pelo maior hit solo do vocalista Bryan Ferry (Slave To Love, clássico das madrugadas de rádios especializadas em baladas “sensasuaves”), o Roxy surgiu como banda vanguardista no ínicio dos anos 70, entregando um som ora funkeado e dançante, ora introspectivo. E com uma classe absurda. Ferry está mais para entertainer do que cantor, pela inflexão debochada que utiliza em diversas músicas, além de entregar belas contribuições ao piano. Contar com um saxofonista na formação – Andy MacKay – também adiciona um molho à fórmula. Parte do estigma de vanguarda devia-se à presença do excêntrico Brian Eno nos sintetizadores, descobridor de idéias pouco ortodoxas sonoramente e que viria a se tornar um dos mais famosos produtores musicais nas décadas posteriores. Com a intenção de tornar o Roxy Music cada vez mais pop, Bryan Ferry e Eno desentenderam-se a ponto do último ter deixado a banda após apenas 2 discos. O que não exatamente afetou a qualidade produtiva de imediato, o que leva a muitas outras histórias que não convém comentar agora.

De qualquer forma, For Your Pleasure, último disco com Brian Eno, meio que sintetiza tudo isso aí. Mas vale também conhecer Virginia Plain, A Song For Europe, The Thrill Of It All…

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Fogo cruzado

maio 8, 2008

A primeira vez que ouvi falar em “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, pensei em um livreto de 300 páginas, pretensioso, chato e que apostava em mais uma tola lista hierárquica como trilhões que pipocam por aí a cada semana – a inclusão digital desfavoreceu essa prática como poucas outras, tamanha é a banalidade com que as famigeradas listas surgem. Primeiro contato visual, eis um livro com lombada quadrada, imensa, páginas em papel couché e uma decente classificação cronológica no lugar do tradicional ranking. Promissor.

Isso foi ano passado. Na segunda vez em contato com o livro, deu tempo de folhear. E gostar. Por mais pretensioso que soe o título, “1001” é um sopro de sobriedade dentre várias publicações que ficaram só na tentativa de transparecer o mesmo. O primeiro gol do autor/compilador Robert Dimery foi ter a sacada de que, bem, se vamos recomendar música pra galera, que seja de todo tipo; a intenção é que o tijolinho transceda toda e qualquer esfera – indie, black, metal, progressivo, punk, jazz – a fim de apresentar boa música a quem estiver interessado.

A segunda grande sacada foi a já citada ausência de hierarquia na apresentação dos registros. Dimery e cia. tornam sua compilação mais simpática a olhos de fãs dessa forma – prevenindo chiliques histéricos de quem acharia que seu álbum preferido pudesse ter sido injustiçado. E, afinal, como determinar diferenças de qualidade entre um disco do Led Zeppelin e outro do Stevie Wonder? Além disso, a disposição crescente de décadas é bastante instrutiva para neófitos; os maiores beneficiados, inclusive, com a publicação deste livro.

Pecando apenas por erros bestas de ortografia em alguns poucos artigos, “1001” mereceria uma recomendação no mínimo por evitar toda a afetação que geralmente cerca este tipo de compilação. E mostrar que, mesmo que você não consiga ouvir os tais 1001 antes de morrer, o processo será bem divertido.

Prediletos da casa do momento (estão todos lá):

Talking Heads – More Songs About Buildings And Food
Roxy Music – Country Life
Public Image Ltd. – Metal Box
Violent Femmes – Violent Femmes
Wilco – Being There