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Para seu deleite

Maio 14, 2008

Alongando um pouco um dos nomes do post anterior, é interessante notar as reações que o nome Roxy Music desperta. Muito falado e pouco ouvido, o grupo inglês segue na ativa, o que pode passar uma impressão superficial de que se trata apenas de mais um dinossauro errante, como os já malfadados Creedence Clearwater Revisited e Deep Purple, outrora relevantes. O que é uma enorme besteira, pois mesmo que o Roxy não lance material inédito há mais de 25 anos, também nunca insultou seu público lançando material não-digno da história da banda, ou com apresentações burocráticas. A bem da verdade, a banda só voltou a se apresentar esporadicamente ao vivo desde 2001, e a exemplo do Television e do The Police (outros nomes que merecerão uma apreciação mais detalhada no futuro, aqui), entrega ainda a mesma classe que lhe deu o merecido prestígio nos anos 70.

Mais conhecidos no Brasil pelos hits radiofônicos More Than This (do último registro em estúdio, Avalon) e, por tabela, pelo maior hit solo do vocalista Bryan Ferry (Slave To Love, clássico das madrugadas de rádios especializadas em baladas “sensasuaves”), o Roxy surgiu como banda vanguardista no ínicio dos anos 70, entregando um som ora funkeado e dançante, ora introspectivo. E com uma classe absurda. Ferry está mais para entertainer do que cantor, pela inflexão debochada que utiliza em diversas músicas, além de entregar belas contribuições ao piano. Contar com um saxofonista na formação – Andy MacKay - também adiciona um molho à fórmula. Parte do estigma de vanguarda devia-se à presença do excêntrico Brian Eno nos sintetizadores, descobridor de idéias pouco ortodoxas sonoramente e que viria a se tornar um dos mais famosos produtores musicais nas décadas posteriores. Com a intenção de tornar o Roxy Music cada vez mais pop, Bryan Ferry e Eno desentenderam-se a ponto do último ter deixado a banda após apenas 2 discos. O que não exatamente afetou a qualidade produtiva de imediato, o que leva a muitas outras histórias que não convém comentar agora.

De qualquer forma, For Your Pleasure, último disco com Brian Eno, meio que sintetiza tudo isso aí. Mas vale também conhecer Virginia Plain, A Song For Europe, The Thrill Of It All…

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